A incompreensão dos estados depressivos

A depressão não é, por vezes, compreendida e aceite por aqueles que nunca tiveram a experiência de passar por uma situação dessa natureza.

Várias vezes – ao longo da minha prática clinica de há 20 anos -, tenho ouvido pessoas que sofrem ou sofreram de depressão dizerem que se sentem incompreendidas. Sentem que os outros – nomeadamente a família mais chegada – os acham preguiçosos, pouco motivados, comodistas, fracos. Referem a tendência dos amigos, conhecidos e parentes de, na tentativa de ajudarem, dizerem frases como “tens de reagir”, “há que ser forte”, “tens que sair e procurar estar com pessoas”…

Ora, do ponto de vista de uma pessoa deprimida, ouvir estas frases (ditas com a melhor das intenções!) é extremamente doloroso e apenas acrescenta mais peso aos sentimentos de incapacidade, inutilidade e incompetência que a pessoa deprimida sente. O facto é que, quando alguém está a passar por uma situação de depressão (não uma situação de tristeza), a pessoa tenta fazer tudo quanto está ao seu alcance para continuar com o seu quotidiano; contudo e por muito esforço que faça, o que sente, no mais profundo e íntimo do seu ser, é uma incapacidade para reagir, para enfrentar situações tão simples como ter que conduzir o carro ou dizer bom dia ao vizinho.

É por isso que uma intervenção psicoterapêutica é importante – e não apenas a intervenção médica, que apenas alivia ou mascara os sintomas … quando a medicação deixar de ser ingerida, os sintomas regressam.

Se tiver um amigo que esteja a passar por um estado depressivo, evite incentivá-lo a “fazer coisas”. Opte por estar com ele, por falar com ele, por reforçar todos aspetos, capacidades, competências e habilidades positivos do seu amigo.

Calar o crítico interior

“Estou a falhar”, “Não devia ter dito isto”, “Não faço nada de jeito” … são alguns exemplos de diálogos internos, de julgamentos que fazemos a nós próprios. Pensamentos como estes ficam, muitas vezes, a circular na nossa mente, como se não fosse possível pensar em qualquer outra coisa.E, normalmente, o resultado é sentirmo-nos mal connosco, é gostarmos menos de nós, é afetarmos de modo negativo a nossa autoestima.

Sem dúvida que analisar as nossas decisões, comportamentos e atitudes é importante e determinante para o crescimento pessoal. Contudo, o que nos faz evoluir é uma perspetiva de análise positiva, compreendendo a opção que tomamos em determinada altura e identificando o que, em situações futuras, podemos melhorar.

Um exercício excelente de autoconhecimento é estar atento aos julgamentos que faz a si mesmo. Registe-os. Analise-os. Para que lhe servem, afinal?

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Esgotei todas as alternativas?

Esta é uma pergunta que surge muitas vezes nas relações de casal, após uma rotura.

Como sabemos se esgotamos todas as hipóteses?

Numa primeira análise, parece-me ser claro que esta é uma questão que pode nunca encontrar uma resposta, pelo que a pergunta constitui-se como um excelente argumento para ir adiando uma decisão. Por outro lado e subjacente à questão em causa, está implícita a necessidade de securização relativamente a uma eventual culpa.

Será que é, de facto, aquela a pergunta a fazer? Ou seria mais efetivo perguntar-se: é isto que quero para mim?

gs